A esfinge...






Comecei a gostar de Clarice aos poucos.
Na verdade, no início nem gostava, porque todo mundo gostava, sem me explicar o por que(?) gostavam.
Nossa aproximação foi acontecendo aos poucos e, no começo, houve até uma certa antipatia.
Ela tinha muitos defeitos!
Ela era misteriosa, inatingível, intrigante e fumava, acendendo um cigarro com o outro.
Tinha lá um certo charme e uma beleza pouco convencional.
Queria a todo instante desmistificar tudo aquilo que lhe atribuíam.
Criava uma aura cheia de fumaça em torno de si... ou será que criavam esse cenário para ela?
Porém, quando descobri a Clarice, ficamos íntimas.
Passava horas passeando com ela e desbravando juntas caminhos particulares.
Ainda hoje, em alguns instantes, ela é minha confidente.
Seus mistérios ainda não foram revelados a mim, mas não me importo porque também ela não consegue desvendar os meus.
Tal qual ela disse à Esfinge, depois de visita ao Cairo, lugar que nada lhe chamou atenção - "EU NÃO A DECIFREI, MAS ELA TAMBÉM NÃO ME DECIFROU." - digo também eu, "CLARICE, TU ÉS PENUMBRA QUE NÃO SE DECIFRA, MAS EU TAMBÉM SOU!"


Estamos quites, minha querida! 
Eu lhe tenho admiração e sei que morres de admiração por mim

O DIÁRIO DE CLARICE...

Veleiro...




Vou viajar...
Velejar entre os mares,
Colocar os pés nos portos,
Cheirar os peixes,
Beijar as gaivotas.
Direi adeus às lembranças,
Mas serei feliz.


Vou viajar...
Fazer grandes malas.
Voarei pelas janelas da sala
Pra conseguir pousar nos cais.

Vou viajar...
Brincar de fada,
Subir na montanha encantada
E, no vulcão, mergulharei minhas mãos.

Vou viajar...
Pelo sideral,
Pelo infinito,
Em sonhos astrais...
E, na minha viagem,
Deixarei cair meu ser carente
Sobre teu ser,
Nessa viagem
Que hei de fazer...


ENTRE BORBOLETAS E MARIPOSAS
As Crônicas do meu Jardim

Reflexões dominicais...






Eu sou eu em qualquer lugar!
Não uso meias palavras, nem indiretas.
Falo tudo o que quero falar olhando nos olhos.
Minha palavra não faz curva.
Não sou de mandar recados, pois quem os manda corre o risco de não dizer realmente aquilo que queria.
Sou mansa e tranquila, mas nunca fui idiota como já chegaram a pensar.
Não invento o que sou, porque o que sou me pertence, me constrói.
Tenho plena consciência que já fui muito melhor, porém ando numa fase de azedumes, de poucos amigos, de raros sorrisos.
Tenho passado por poucas e boas e sempre acreditando que um dia as janelas se abrem e a tempestade vai embora.
Já me importei muito com o que pensavam de mim, hoje apenas penso em ser um tantinho feliz com a escassa felicidade que aparece por pequenos momentos.
Faço o que posso!
Não sou dada a achar que tudo é um mar de rosas.
Nem mesmo rio de tudo, pois como diz a canção - RIR DE TUDO É DESESPERO.
Aprendi a agradecer!
Aprendi a passar pelos meus pedaços fazendo exercícios de paciência e disciplinando a alma, assim como as plantas, quando executam o fototropismo.
Gosto de mim... melhor, me amo e de forma inteira e verdadeira, porque se eu não me amar ninguém o fara por mim.
E todos os dias eu repito a mesma frase - QUE EU ME AFASTE DE TUDO, MAS QUE NÃO ME AFASTE DE DEUS!
ELE é por mim assim como sou por ELE e NELE eu descanso e NELE nada me faltará.
As duras penas compreendi que, não encontrarei em nenhum ser humano o que só uma ORDEM DIVINA pode me dar.


MOMENTOS EM BRANCO E PRETO

Manhã para acordar-te...



É o sol que invade o quarto
Revira os lençóis
Mistura-se entre nós
Manhã morna
De sonhos e de luzes
Que abre a cortina e tudo ilumina
Agarro-me em teu corpo
Enrosco-te às minhas pernas
Levo-te entre meios seios
Elevo-te 
Suspendo-me
Respiração entrecortada
Estou completamente acordada
Perdida em tantos desejos
Enlevo
Relevo em tons de alfazema
Decoração vintage de um amor sutil

ENTRE A VIDA E OS VERSOS
Poemas Femininos de Amor

Viver de verdade...




❝Viva!
Mas viva de verdade.
Leve a vida de peito aberto e verá que vale à pena sempre tentar.
Tente um pouco por dia!
Viva de forma leve e nunca se entregue.
Descubra o quanto é bom viver.
Deixe as tristezas para traz.
Não guarde mágoas... não cultive jardins de dores.
Semeie amores e abra os olhos para a luz.
É vivendo que somos curados das dores...
É vivendo que as feridas cicatrizam...
É abrindo o coração todas as manhãs que encontramos motivos para colocar os pés na estrada e seguir rumo ao horizonte, que sempre está lá, nos esperando...❞


MOMENTOS EM BRANCO E PRETO

Deixa-me...



Deixa-me solta
como a pétala da flor que se desprende
e vai ao vento - leve... breve... feito a própria brisa.
Deixa-me livre,
como ave que alça voos insanos
à procura de sonhos.
Deixa-me construir saudades, desejos
e descobrir gostos.
Deixa-me segura,
para poder tocar teu rosto
e desbravar teu corpo...
Deixa-me assim,
como pés de bailarina,
nas pontas, no passo marcado, delicado.
Deixa-me absoluta,
inteira, serena.
Deixa-me caminhar,
antes pelos meus caminhos, depois pelos teus...
Deixa-me a voz no ouvido,
aguçar-me todos os sentidos...
Deixa-me a porta aberta,
entre a luz da noite e o sol do meio-dia.
Deixa-me sempre vazia,
Para que possa encher-me de ti.

ENTRE A VIDA E OS VERSOS
Poemas Femininos de Amor

Empatia...



ENTRE BORBOLETAS E MARIPOSAS
As Crônicas do meu Jardim

Das minhas ilusões...



Fragmentos Monossílabos

Magnetismo ocular...






Noite escura
Tempestade na rua
Gatos pretos no telhado
Amantes cansados
Sonhos desnudos em pés descalços
Silêncio profundo
Emoção gutural
Amplexo vazio
Calafrio animal
Corpo estendido no frio
Trevas sinuosas
Estradas misteriosas
E a minha alma
Cravada em sangue e em morte
Lançada a própria sorte
Beijando minha sina
Lambendo a minha pele
Livrando daquilo que me repele
E os meus olhos... inertes...
Completamente magnetizados
Pelo brilho indefinido
Do teu olhar


FRAGILIDADES DESNUDAS - Histórias de Solidão...

Dos meus pés nas estradas...



ENTRE BORBOLETAS E MARIPOSAS
As flores do meu Jardim...

Alma inquieta...



Gosto dos momentos repletos de fatos. Fatos leves, delicados.
Acordo todos os dias para viver meu lado intenso.
Mergulho na imensidão do mundo e me vejo tocando infinitos, remexendo pensamentos, desbravando 
caminhos novos...
Tenho saído, constantemente à procura daquilo que faça florescer o que de melhor há em mim, mesmo que 
para isso eu tenha que desnudar a alma e sair, dançando nua, trilhas afora.
Eu tenho uma inquietude... um desassossego imenso que me aplaca sem que eu deseje.
Não gosto dos dias iguais.
Manhãs sempre idênticas causam um marasmo profundo e nada acrescentam.
Para mim cada alvorecer tem que trazer uma nuance antagônica ao dia anterior.
Quero VIDA!
Quero algo intenso que gire dentro de mim feito cataventos coloridos.
Preciso de sensações... sentimentos... emoções, temperos variados que me lembrem, a todo instante, que 
estou VIVA!


ENTRE BORBOLETAS E MARIPOSAS 
As Crônicas do meu Jardim

Das variações do tempo...



ENTRE BORBOLETAS E MARIPOSAS 
As Crônicas do meu Jardim

É sempre um novo amanhecer...



O sol entra pelas frestas da janela.
É manhã!
Meu dia começa no silêncio dos sentimentos, no barulho da correria...
Trabalho...
Descanso...
Alegrias...
Solidão...
Máquinas humanas em desalinho.
Vida!
Morte!
Caos!
Depressão!
Marcas eternas que ficam entre o caminho que se percorreu em busca de algo, chamado felicidade.


ENTRE BORBOLETAS E MARIPOSAS 
 As Crônicas do meu Jardim...

Sentimentos que fluem...


Quimeras...







FRAGMENTOS MONOSSÍLABOS

Teu abraço...





Todos os dias espero pelo teu abraço de uma forma única e demorada...
Pés descalços na calçada,
luz do luar,
música ao longe...
Essas coisas feito modinha, clichê.
Vocabulário démodé.
As estrelas voam, ao longe
e nada de você!
E todos os dias espero pelo teu abraço, escondida, 
às escuras,
no insólito conforto solitário
de uma sessão, quase proibida 
de um cine privé.


ENTRE A VIDA E OS VERSOS - Poemas Femininos de Amor


Memórias obscuras...




Meus pensamentos

facetas sombrias e escuras

marcam meus dias

de melancolia e amargura.

Triste, no corpo e na alma,

mendigo solto e sem frescura,

sentado na penumbra das calçadas

alimento-me de loucuras.

Inflo o ego.

Corrói-me o desapego.

Custa poder deixar

os sentimentos amados,

os sonhos e desejos amordaçados...

Caio no abandono.

Sinto o vazio do vento frio.

Desespero-me!

Congelo e descongelo-me.

Fica a terrível dúvida, no sepulcro dos meus vãos...

Será que voltarei ser normal,

diante de todo esse sentido sobrenatural?


FRAGILIDADES DESNUDAS - HISTÓRIAS DE SOLIDÃO...


Depois do infinito...



Era um daqueles dias, de não sair da cama e, por mais calor que fizesse lá fora, o corpo estava sob muitas camadas de cobertores. Uma dor que invadia todos os cantos, acompanhada de uma febre sem razão. Uma insanidade sem tamanho que arremessava para longe qualquer expressão. Na verdade era o cansaço do coração! Um coração falido dos sonhos, das ilusões, das cores, dos ardores que dão vida a todas as verdades.

Queria criar coragem. Levantar. Lavar o rosto do pavor. Vomitar uma gosma de vontade sem vontade, mas ela não estava mais lúcida e carregava todas as culpas num ombro que há tempos também estava cansado.

Pensava naquilo que o pensamento não compreende porque vai crescendo como bolhas quentes em chaleiras de água fervente.

Um turbilhão de fragmentos em suas mãos e não podia segurar. Ela, que na estrada do tempo já havia colhido muitas flores azuis, braçadas de girassóis e pequenas ervas da cor da terracota.

Sem querer, tão frágil, entre o gelo que se derretia.

Pronta para se afogar, nas lágrimas que se misturavam com a chuva, limpava o corpo... realinhava os castigos explícitos em tatuagens. Depois, num soluço profundo e num esboço de suspiros se aprumava, tomava os passos, ainda por baixo das cobertas e seguia tranquila, às margens daquilo que pensavam ser a sua felicidade.


FRAGILIDADES DESNUDAS - HISTÓRIAS DE SOLIDÃO...


Borboletas voam...













Primeiro o casulo, fechado, úmido, quente e escuro.
Depois uma pequena fenda - portal do tempo, aberto para o mundo, em todas as direções.
Ela é frágil e encolhida criatura, presa aos anéis do tempo.
Quase sem firmamento, sem ainda conhecer o horizonte, vê a luz que vai ao longe do seu perdido olhar.
Quer sair! 
Rasgar as vestes de seda e compor-se em andrajos... ter os pés descalços.
Preâmbulo de horas - elaboração da fala, estrutura da personagem...
Uma estrela performática.
Palco, holofotes... tablados fortes!
Quem dera uma diva? Uma bailarina... ou a simples cortina que descerra o espetáculo...
Animal sem tentáculo?
Fragrância pura da flor e seu gineceu.
Solta!
Absorta!
É leve!
É lépida!
Borboleta solta pelo jardim que só quer voar.



Correspondências quase diárias - Sensações atemporais... 1







Em algum lugar de mim, 26 de abril de 1963


É outono!
Manhãs de outono me enchem de luz.
Já acordo com um sol fresco dentro de mim. A casa enche-se de bálsamos e de folhas da cor de terracota.
Essa estação faz-me leve e livre.
Tudo me vem delicadamente!
A florescência dos jardins me encanta. Talvez seja por conta da florada que surge sutil, entre as ramagens ressequidas.
Posso contar-te dos jardins outonais.
Posso descrever-te os detalhes mais imperceptíveis...
Ainda quero te fazer um poema de outono. Nele serei uma velha árvore, despida de todas as primaveras. Verá apenas um tronco tortuoso, onde poderá gravar as iniciais de todos os teus sonhos e eu os decifrarei com calma e alegria.
Há tanto por se fazer nessa manhã de temperatura agradável.
Há o desejo, a vontade voraz de trazer tuas mãos para perto da minhas e, juntas, as nossas mãos, permanecerem, por toda manhã, revolvendo a terra ainda fresca e orvalhada.
Plantaremos juntos, as rosas dos próximos dias, aquelas que transcenderão as demais estações.


No mais, um leve beijo e um breve abraço


Penélope