A esfinge...






Comecei a gostar de Clarice aos poucos.
Na verdade, no início nem gostava, porque todo mundo gostava, sem me explicar o por que(?) gostavam.
Nossa aproximação foi acontecendo aos poucos e, no começo, houve até uma certa antipatia.
Ela tinha muitos defeitos!
Ela era misteriosa, inatingível, intrigante e fumava, acendendo um cigarro com o outro.
Tinha lá um certo charme e uma beleza pouco convencional.
Queria a todo instante desmistificar tudo aquilo que lhe atribuíam.
Criava uma aura cheia de fumaça em torno de si... ou será que criavam esse cenário para ela?
Porém, quando descobri a Clarice, ficamos íntimas.
Passava horas passeando com ela e desbravando juntas caminhos particulares.
Ainda hoje, em alguns instantes, ela é minha confidente.
Seus mistérios ainda não foram revelados a mim, mas não me importo porque também ela não consegue desvendar os meus.
Tal qual ela disse à Esfinge, depois de visita ao Cairo, lugar que nada lhe chamou atenção - "EU NÃO A DECIFREI, MAS ELA TAMBÉM NÃO ME DECIFROU." - digo também eu, "CLARICE, TU ÉS PENUMBRA QUE NÃO SE DECIFRA, MAS EU TAMBÉM SOU!"


Estamos quites, minha querida! 
Eu lhe tenho admiração e sei que morres de admiração por mim

O DIÁRIO DE CLARICE...

3 comentários:

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